Proposta 1
Redija
um
texto
dissertativo-argumentativo,
no
qual
seja
exposto
seu
ponto
de
vista
sobre
o
tema:
O perdão é um ato que
pode ser condicionado ou limitado.
Sem anistia
“Jesus disse: ― Pai, perdoa‑lhes,
pois não sabem o que fazem.” V. Jankélévitch, filósofo conhecido por tratar do
tema “perdão”, discordava dessa sentença evangélica porque se “não sabem o que
fazem”, erram, logo, precisam de correção, necessitam de perdão os que agem livremente
com maldade. Desculpar os maus, ou desculpar o mal, no entanto, é uma atitude
tão complexa e paradoxal que está no rol das virtudes morais. Duas dessas
dificuldades estão em ponderar sobre as condições e os limites para a
misericórdia.
A condição mínima para escusar alguém
por um ato livremente maldoso é o arrependimento. O ex-presidente da república
e todos os envolvidos na tentativa de golpe contra o Estado brasileiro, por
exemplo, pedem anistia, mas não pedem desculpas. O arrependimento é condição
porque implica a promessa do indivíduo em não recorrer novamente à maldade, ou
seja, o perdão quer libertar da irreversibilidade do passado e da
imprevisibilidade do futuro, perdoar não pode transformar em refém do medo o
misericordioso – caso contrário seria se entregar a possíveis e novas
injustiças. Além disso, o perdão é uma atitude moral, enquanto a anistia é um
elemento jurídico, e uma não resulta da outra. Misericórdia cessa o ódio, todavia
não obsta a justiça.
Em contrapartida, mesmo diante do arrependimento,
há limites intransponíveis para o perdão humano – daí imaginou-se até a “misericórdia
divina”. Perdoar o imperdoável, um paradoxo. Viver com o nojo, com o ódio, impõe-se
como necessidade de reconhecer o monstruoso como monstruosidade, o mal como maldade.
O genocídio em Gaza é imperdoável ainda que houvesse arrependimento. O
genocídio em Dachau é imperdoável ainda que houvesse arrependimento. O
genocídio no Congo colonial é imperdoável ainda que houvesse arrependimento. Mortos
não perdoam os vivos e esses não podem perdoar os monstros sem que isso lhes custe
a condição humana. Ou a misericórdia divina dissolve o paradoxo – porque a metafísica
é também da condição humana –, ou a memória sem ódio é o que resta.
Por fim, o perdão revela-se como
virtude moral condicionada ao arrependimento e limitada pela monstruosidade.
Não substitui a justiça, pois perdão não é impunidade, mas a cessação do ódio. Não
perdoa o imperdoável, pois não é possível desfazer o irreparável. Se eles sabem
o que fazem, a humanidade sabe o que fazer.
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